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Outros, pelo fato do Deus ser o Senhor das Trevas e do Submundo já mostram temor total a ele e preferem não trabalhar com essa Divindade.Mas como uma Divindade tão importante como Hades que foi um dos Deuses mais reverenciados no passado pode ser tão pouco mencionado e cultuado hoje em dia? Isso se deve ao fato das pessoas terem medo daquilo que não conhecem e à associação do Hades com o Demônio cristão. No passado, esse Deus nunca foi associado ao mal, muito pelo contrário, pois era ele quem punia o que havia de errado. Além de cobrar dos errantes, Hades os colocava na linha e era uma das Divindades mais invocadas quando o assunto era expurgar os diversos males dos locais ou das pessoas. Diferentes dos sacerdotes e sacerdotisas das outras divindades, aqueles que representavam Hades, quase nunca eram vistos. Como o Deus, também eram envolvidos em mistérios e só se mostravam em grandes rituais. A época em que a comunidade grega mais fazia rituais para essa divindade era no final do ano, onde pediam que o Deus enterrasse e levasse tudo que fosse negativo ao submundo para que a felicidade pudesse florescer novamente. Ao contrário de seu irmão Zeus, o Deus das Sombras era mais recatado e conquistar seu coração dotado de frieza, seria uma tarefa quase impossível para humanas e até Deusas se não fosse o empurrãozinho de Afrodite. Para a Deusa do amor, negar-se a este sentimento era como desafiá-la o que a impulsionava mais e mais a querer mostrar o seu poder. Dessa forma, em uma tacada só, Afrodite tirou dois de sua rota, Hades e Perséfone, que na época era apenas uma jovem virgem e se chamava Kore. Mas que aos poucos o Deus do Submundo transformou em sua grande Rainha das Trevas. Hades é justo e impiedoso, não prejudica e nem faz mal algum àqueles que não o merecem, mas quanto aos errantes, o Deus persegue e não há como fugir dele. Essa Divindade representa o subconsciente que guarda as maiores vontades e desejos ocultos. Não tem como fugir, pois quando fazemos algo de errado, ele nos culpa e é o primeiro a cobrar. Hades não só é o Deus da morte carnal, mas de todos os términos os quais podemos ser submetidos. Em magia grega é sempre louvado ao final de cada ciclo. Como todos os Deuses, o Senhor das Trevas possui seus aspectos positivos e negativos, mas é bobagem não cultuar uma Divindade tão importante por receio, pois no final é a ele que chegaremos de toda forma. Bacantes: da alegria ao êxtase
Na Grécia Antiga, cada Divindade vivia num reino ambientado de acordo com suas necessidades, na companhia de Sacerdotes e Sacerdotisas que a serviam e com elas aprendiam muito e até mesmo com outras Divindades. Dionísio diferentemente dos outros Deuses, apesar de ter conseguido seu trono no Olimpo contra a vontade de Hera, preferia viver na Terra, até mesmo porque gostava dos humanos e de tudo que por aqui rolava. Com ele moravam as bacantes, essa era a forma como eram conhecidas suas Sacerdotisas que possuíam características extremamente questionáveis no quisito sacerdócio, mas não de menor importância. As bacantes mostravam-se sempre de forma incrivelmente sedutora e acompanhavam Dionísio por onde o Deus passava. Elas que conduziam as festas e rituais dedicados e esse Deus em seus festivais e não possuíam, tão pouco queriam, um relacionamento fixo com alguém. Viviam para sua alegria e para dá-la também àqueles que não a possuem. Nos mitos e lendas apresentados sobre o Deus do vinho, comumente veremos que elas eram feiticeiras, que após as relações sexuais, matavam os homens e que além de tudo possuíam tendências vampíricas também. De fato, Santas elas não eram, até mesmo porque se fossem não cultuariam Dionísio, mas sim a grande Hera, Senhora do casamento e dos bons-costumes, apesar desta última, possuir também seu lado trevoso. Mas apesar de não serem lá moças respeitosas e de família, não faziam por onde possuir uma imagem tão trevosa como são rotuladas hoje em dia. Esse rótulo negativo que possuem deve-se a banalização de algumas Divindades, uma vez que o Deus foi transformado em Diabo, suas seguidoras deveriam herdar uma parcela da culpa. Viviam em florestas com sátiros e outras criaturas que acompanham Dionísio e a época em que eram mais vistas era quando estava para acontecer o Festival de Dionísio, onde elas conduziam o culto ao Deus. Os festivais eram bem divertidos com muita fartura, alegria, brincadeiras e madrugadas onde Dionísio e as Bacantes banhavam seus seguidores com seu mais puro êxtase. Na época do Festival de Dionísio, as cidades se preparavam para receber as fiéis escudeiras de Dionísio com luxuosas decorações e muito conforto. O vinho era liberado até causar a embriaguez coletiva. Ninguém poderia ser detido e aqueles que estavam presos eram libertados para participar da festividade. As Bacantes acompanhavam sempre a carruagem de Dionísio nas viagens pelas diversas pólis gregas e ao mesmo tempo que eram adoradas, também eram temidas pela população. Aqueles que as viam, reparavam sua diferença perante as mulheres comuns e outras bruxas, pois pareciam encantadas, uma vez que sempre estavam em constante estado de frenesi. Quando eram atacadas por alguma cólera demonstravam sua raiva insaciavelmente, o que as tornava de certa forma um perigo, mas suas atitudes sempre eram respeitadas, pois apesar de serem mortais eram associadas a imagem de Dionísio, herdando assim, o seu respeito. Com elas não tinha tempo ruim, sempre era hora para alegria e vinho, a bebida sagrada de Dionísio. Essas figuras despertavam a alegria e a necessidade humana e carnal do sexo sem limites, não por amor, mas sim por extinto. Era comum quando se mostravam ao público estarem sempre nuas ou com poucas roupas nas quais ainda eram tiradas com o passar do tempo. Traziam sempre consigo o tirso que era a insígnia das adoradoras dessa Divindade. Tratava-se de um cajado com uma haste ornada com hera coberta com folhas de parra e cachos de uvas, que, além de as auxiliar nas caminhadas, era possuidor de recursos mágicos. Essas mulheres tiveram seu papel importante na sociedade mágica grega e até hoje algumas bacantes ainda existem apesar de muitas não se mostrarem. São Sacerdotisas devotas e consagradas ao Deus do vinho que realizam trabalhos mágicos (muitos com transes) e são capazes de expurgar negatividades e traumas, além de despertar a alegria, o desejo e a jovialidade no espírito de cada um. Sua magia está associada aos desejos ocultos e desperta as vontades mais secretas que possuímos. Bênçãos das Terras Vermelhas a todos, Circe, a Deusa Feiticeira. Uma
Escada dos Desejos
É comumente vista com uma trança cumprida que separa suas madeixas castanhas com tons avermelhados, onde traz certos fundamentos mágicos. Dessa forma, a maioria de suas sacerdotisas também usava de tranças nos longos cabelos. Como a Deusa, suas representantes também não se misturavam com a sociedade da época e tão-pouco eram vistas como acontecia em algumas épocas do ano com as bacantes (sacerdotisas de Dionísio) e freqüentemente com as Pitonisas (sacerdotisas de Apolo) e Prostitutas Sagradas (sacerdotisas de Afrodite). Preferiam se dedicar aos mistérios da feitiçaria. Circe rege os pós mágicos, filtros, poções e artes de sedução e envenenamentos. Sua varinha mágica transformava homens em animais, como aconteceu com os homens de Odisseu. Esses ao voltar da Guerra de Tróia, na fuga da fúria de Posêidon, pois o Deus pretendia exterminá-los por terem matado um de seus filhos, acabaram por parar, acidentalmente, no reino da feiticeira. Com a exceção de Odisseu, que havia sido presenteado por Hermes com ervas de proteção, a feiticeira transformou todos em porcos. Mas Odisseu, também, não conseguiu fugir de seus encantos, pois apesar de ter conseguido que a Deusa trouxesse seus amigos de volta, apaixonou-se por ela e viveram juntos alguns anos de sua vida. Circe é uma das Deusas mais misteriosas e sua energia, que é profunda e densa, é uma mistura de Afrodite e Hécate, a qual está intimamente ligada. Tão ligada, que muitos a confundiam com a própria senhora da magia, dos mistérios e da lua. Como age diretamente em cima de mudanças e grandes transformações, Circe é associada à lua nova. Um encantamento já conhecido, mas com um toque de Circe... Você irá precisar de: Um longo pedaço de barbante da cor correspondente à sua necessidade; Nove sementes, castanhas, pedaços de madeira, flores secas ou ramos de ervas magicamente associados à sua necessidade; Uma taça de vinho; Uma vela roxa. Chame por Circe: “Oh Deusa grega das diversas encantarias, te chamo neste instante para minha magia! Deusa das tranças, dos pós mágicos e da transformação, eu te invoco e peço sua atenção. Com o poder dos Céus, da Terra e dos Mares, peço seu auxílio na escada dos desejos, pois a realização deles é o que almejo. Saudações e seja bem vinda, Circe, Deusa Feiticeira!” Lembro que este é um modelo básico de invocação, você pode e deve complementá-lo com palavras do seu coração. Circe apóia a sinceridade e não se esqueça de falar de maneira intensa e gerando poder. Em seguida, comece a trançar o pedaço de barbante, chamando pela presença da Deusa. Quando você sentir a presença dela bem forte, apanhe um pouco de erva ou do objeto o qual irá utilizar representando seu primeiro pedido e dê um nó ao seu redor com o barbante, tensionando-o e visualizando firmemente sua necessidade. Repita o processo mais oito vezes até que o barbante tenha nove nós, cada qual contendo um pedaço de madeira ou uma flor. A seguir, leve o barbante ao ar livre, erga-o aos céus e diga: "Escada de nós, escada do desejo, eu a confeccionei para atrair a mim as necessidades que possuo. Este é o meu desejo, que se faça o que almejo. Assim seja!” Agradeça a presença de Circe e deixe uma taça de vinho e uma vela roxa acesa em homenagem a ela em seu altar. Pendure a escada dos desejos num local importante da casa, ou enrole-a ao redor de um castiçal com uma vela de cor apropriada. As escadas dos desejos não só são eficazes, como também altamente decorativas. Como saber a divindade grega regente?
No meu caso, especificadamente, quando falo que tenho Apolo como pai e Perséfone como mãe já até espero por um olhar interrogador. Não por causa de Apolo, mas pela Deusa do Submundo. Apolo é tão nítido em mim que as pessoas não chegam a enxergar Perséfone, a não ser aquelas que me conhecem muito bem. Isso se dá pelo fato de ser Sacerdote do Deus, o que é claro, me traz a energia dele de uma forma mais intensa. Mas como descobrir qual é a divindade que lhe rege? Em primeiro lugar, quero deixar claro que existem mil formas de se chegar à esta resposta, mas isso deve ser feito por você, afinal é a única pessoa que se conhece o suficiente para reconhecer em si a existência de determinada divindade. É claro que não funciona do dia para a noite, você precisa conhecer e compreender a mitologia e os Deuses. Palpites de bruxas, magos, sacerdotes e sacerdotisas são muito bem vindos, desde que não lhe ceguem, pois essa descoberta é só sua. É importante dizer que uma das formas mais conhecidas e utilizadas por sacerdotes e sacerdotisas para se chegar neste resultado é a análise da personalidade da pessoa, pois esta, comparada ao arquétipo das divindades, torna-se um grande passo para se alcançar a regência espiritual. Existem pessoas que conhecem os respectivos Deuses por sonhos ou visões. Meu contato inicial com minha mãe Perséfone foi por meio de uma aparição da Deusa, numa época, onde eu mal conhecia a bruxaria e as divindades gregas. Lembro-me perfeitamente que estava dormindo e fui acordado pela Deusa que encontrava-se sentada em minha cama. Ela conversou muito comigo, alertou-me das descobertas espirituais que eu faria e disse que sempre estaria comigo. Depois, decidi estudar ao máximo seus aspectos e esses, tinham tudo a ver comigo, meu modo de agir, pensar, etc. Após várias vivências e estudos guiados por mestres e helenistas, na época de meu treinamento, chegamos em Apolo como pai. O conceito de ter um Deus e uma Deusa como pai e mãe era algo que na Grécia antiga não existia. Você podia ser filho de Dionísio ou de Afrodite sem, necessariamente, tê-los como pai e mãe, por exemplo. Hoje, baseado na concepção wiccana que existe um Deus (princípio masculino) e uma Deusa (princípio feminino) e que juntos, formam a totalidade, é que podemos aderir essa visão, também, ao mundo grego. Tudo evolui, a wicca é pura adaptação da velha religião para a realidade de hoje. No culto grego, isso também pode acontecer, desde que seja feito de forma consciente e não altere o verdadeiro sentido de se cultuar essas divindades, assunto cujos especialistas são nossos irmãos reconstrucionistas helênicos. É importante reforçar novamente que um bom representante do culto grego, seja reconstrucionista, mago de magia grega ou sacerdote wiccano compreende que não deve indicar regência daquele que o procura. Isso seria muito manipulativo. Um exemplo: Se eu falo pra uma jovem bonita que a beleza dela e seu dom de sedução se deve ao fato de ser regida por Afrodite, a Senhora do Riso e do Amor, no mínimo, a influenciaria bastante, principalmente se ela não tiver muito conhecimento sobre o assunto. A garota pode acreditar seriamente na questão e sua empolgação diante do fenômeno não daria a oportunidade para outros Deuses se aproximarem e além disso, ela possivelmente cultuaria a Deusa errada. Afrodite não é a única Deusa bela, até mesmo porque helênicos cultuam a beleza. Dá para se contar nos dedos quais eram as divindades menos belas, Hefesto é o mais conhecido. Mas a maioria das Deusas são lindíssimas. Então, a intenção não é manipular a regência dos Deuses, até mesmo porque isso seria um prato cheio para eles se virarem contra o tal “mestre”. Mas sim, mostrar quem é cada divindade, seus arquétipos, mitos, como contatá-los e aos poucos auxiliar o novato em seu caminho de descoberta, essa é a missão dos sacerdotes. Com calma e estudo, você chegará na resposta dos Deuses que lhe regem. Além deles, poderão aparecer, também, uma Deusa madrinha, um padrinho ou ambos. Em grupos de culto grego acontece muito dos Deuses dos sacerdotes se tornarem os padrinhos dos praticantes da arte. Mas varia muito! Os regentes são os que mais gracejamos, mas a descoberta da regência não implica no culto apenas aos Deuses pais, você poderá normalmente cultuar outras divindades. É importante reforçar que o culto aos Deuses Gregos é um caminho que pode ser seguido solitariamente. No mais, você nunca estará sozinho. Nossos Deuses são divertidos e interagem o tempo todo. A mitologia sempre destacou o fato dos Deuses Helênicos serem acessíveis ao homem, pois essa é a raça que eles mais se simpatizam. Finalizo com algumas máximas descritas na parede do antigo Templo de Apolo em Delfos que ilustram muito bem o assunto desenvolvido neste texto. “Conhece-te a ti mesmo; Louva a virtude; Agarra-te à disciplina; Nada em excesso.” Helena, Cultuando e Ritualizando Afrodite
Tudo começa com o julgamento de Páris, um sedutor príncipe que foi obrigado por Zeus a presidir uma disputa de beleza entre três Deusas, que desejavam a maçã de ouro destinada à mais bela.
Como as divindades gregas estão bem longe da perfeição e isso nem é algo que almejam, trataram de chantagear o rapaz. Hera, a Rainha do Olimpo ofereceu ao príncipe o poder sobre os reinos da Ásia. Athena, Deusa da sabedoria e encarregada da justiça ofereceu ao jovem seu apoio para constituir um grande e justo império. Mas a terceira Deusa, Afrodite, a doce dos apaixonados trouxe uma sedutora proposta, refletindo na maçã dourada o rosto de Helena, a mais bela mortal de que se tinha conhecimento.
Naquele momento, o coração de Páris bateu mais forte e ele já tinha sua escolha. Afrodite saiu como a grande vitoriosa e as outras Deusas com desejo de vingança. Ao voltar para seu palácio em Tróia, Páris foi informado por seu pai, o grande rei, de que deveria acompanhar seu irmão Heitor numa viagem à Esparta com a finalidade de tratar de negócios. Em Esparta, os irmãos conheceram Menelau, o governante da cidade e junto a ele, Páris viu pela primeira vez, Helena, a Rainha de Esparta, reverenciada como face de Afrodite pelo povo daquela cidade.
Naquele instante, o príncipe se lembrou da imagem da mulher que seria presente de Afrodite e deu início a um grande e proibido amor que acarretaria numa grande destruição a todos.
Ao contrário da cristã Guinevere, que nos contos arthurianos se entrega a Lancelot, primo de seu então marido, o Rei Arthur, com sentimento de culpa, Helena não sofre com o novo amor. Muito pelo contrário, ela desfruta sem dor e com intensidade, tanto é que foge com Páris para a cidade de Tróia.
A fuga de Helena representa para o povo espartano a perda do sentimento mais precioso para todos que lá vivem. Era como se ela implicasse no amor, na beleza de todas as coisas e não tê-la seria como não ter as bênçãos da própria Afrodite, o que revoltava àquela população que decidiu apoiar e lutar ao lado de Menelau pelo retorno da mulher mais bela.
A guerra só chega a um desfecho, graças a idéia de Odisseu, que lutando ao lado de Esparta, constrói um cavalo de pau gigante, que abriga em seu interior vários guerreiros com a missão de surpreender o povo troiano. Temos, então, a cena em que Tróia é derrubada e Páris também acaba sendo morto. Menelau então, após dez longos anos de guerra, se reencontra novamente com Helena. Sua intenção quando isso ocorresse era matá-la, mas quem disse que ele conseguia? Foi tudo como na primeira vez em que a viu, sentiu-se envolvido pela felicidade, apaixonou-se novamente e a levou com todas as honras para Esparta, onde foi recebida novamente pelo povo de lá como uma grande rainha.
O que Helena tinha para ser aclamada e reverenciada dessa forma? O poder de encantar e fascinar! Filha de Zeus com uma rainha mortal, a bela foi muito bem criada por sua família e sempre protegida pelos irmãos. Quando criança, foi raptada por Teseu porque o herói já admirava sua beleza e sabia o quão linda iria se tornar. Mas ele não obteve sucesso, pois os irmãos da filha do deus dos deuses, a resgataram e levaram novamente ao seu palácio.
Seqüestrar Helena não era difícil, o mais complicado era conquistá-la. Numa época, onde os casamentos das jovens mulheres eram acertados e negociados pelos pais, Helena, à frente de seu tempo, pôde escolher entre os vários pretendentes possíveis e foi por livre gosto que se casou com Menelau, sendo muito feliz com ele até conhecer o príncipe troiano.
Mas o que leva uma simples e mera mortal como Helena a ter um contato tão profundo com uma divindade chegando a representá-la? O culto aos deuses gregos possui lá seus diferenciais, como qualquer outro e o que “aprendemos”, quando digo isso, especifico a todos que seguem este panteão, independente de serem wiccanos, helênicos ou admiradores, é que as divindades gregas estão próximas a nós, vivem e interagem conosco o tempo todo.
Já passei por diversas situações, onde por ventura, soltei um comentário do tipo “estava eu conversando com Deméter” ou “num dia desses Perséfone foi à minha casa” e a reação das pessoas que não conhecem o verdadeiro culto aos deuses gregos é sempre a mesma ou risos de deboche ou aquele olhar que por si só, já diz “ele se acha tão especial a ponto de conversar com os deuses de igual para igual?”.
Não é questão de se achar especial, isso todos nós somos. Mas o fato é que as divindades gregas sempre foram conhecidas por terem tamanha paixão pelos humanos que se mesclavam entre eles diversas vezes. O mito do rapto de Perséfone ilustra essa cena, quando mostra Deméter após abandonar sua morada no reino dos Deuses, estabelecer-se entre os humanos bancando a babá de um jovem príncipe para camuflar o ódio por não ter obtido a ajuda dos outros deuses na busca pela filha perdida.
Esses deuses gostam dos humanos e de serem deuses-humanos, talvez esse seja o maior diferencial de se cultuar os deuses gregos, pois aprendemos a ver nosso lado deus e o lado humano das divindades, assim, compreendendo melhor que todos também somos Deuses. Tanto é que nos tempos antigos, no culto grego em si, para virar sacerdote, muitas vezes, não havia a necessidade de ser consagrado por um outro, pois a consagração vinha da própria divindade, bastava cultuá-la com fé, buscar e praticar os seus ensinamentos. Assim foi com vários sacerdotes e sacerdotisas de diversos deuses e deusas, que não só transmitiram os seus ensinamentos, mas como Helena também ritualizaram e os representaram em sua vida.
Busque e conheça as Divindades!
Bençãos dos Deuses Gregos a Todos,
Realmente, ela é a Senhora dos Céus, porém sempre estivemos acostumados a igualar os poderes dos Céus às forças mais sublimes, quase angelicais, como por exemplo, o Deus cristão. Dessa forma, torna-se contraditório igualar uma das Deusas mais perigosas e vingativas com energias tão doces e calmas. É fato que Hera obrigou Afrodite a se casar com seu filho Hefesto, o mais feio dos Deuses, perseguiu Dionísio, Heracles e tantos outros filhos bastardos de Zeus, até amaldiçoou Eco a ter que repetir as últimas sílabas de todas as palavras, por esse proferir discursos tão cansativos que enquanto todos os Deuses ficavam distraídos ao ouvi-lo, Zeus saia pelas portas do fundo e corria atrás de outras Deusas e ninfas. Mas como sabemos, todos os Deuses gregos tinham lá seus pontos positivos e negativos, como os seres humanos, principalmente se tocassem em suas feridas. A infidelidade e falta de respeito sempre foram as feridas de Hera, que condena qualquer situação derivada delas. Na Grécia Antiga, qualquer esposa que descobrisse estar sendo traída chamava por Hera, quem nem sempre as ajudava, pois o ciúme é uma das características de Hera. Então, de que adiantaria ter cultuado Afrodite a vida toda e só quando a situação apertasse chamar por ela? Com certeza, a pessoa não seria atendida. Por outro lado, quando se fala das pobrezinhas que se dedicavam a vida toda ao lar e família, enquanto os maridos praticavam infinitas formas de adultério, essas sim eram protegidas pela Deusa, que os puniam da forma que ela achasse justo, caso nenhuma outra divindade atrapalhasse. Apesar de ser sempre representada como a vilã das histórias, a Rainha dos Céus, nem sempre foi tão má, há várias comprovações históricas, que a mostram como sendo cultuada antes de Zeus. Hera é sábia e valoriza o esforço e trabalho. Nos mitos e lendas, persegue os filhos bastardos do marido e o próprio Senhor dos Céus, com quem vive num eterno pé de guerra, devido ao fato de sempre ter sido desrespeitada por ele, que muito libertário, a traía nos quatro cantos e não demonstrava precisar dela para muita coisa. Zeus chegou ao ponto de gerar sua filha, a Deusa Athena, sozinho, trazendo-a à vida através de sua cabeça. A Deusa Hera é representada pelo ouro e tem como animal sagrado o pavão, que é a ave da primavera e como ela, atrai os olhares e o respeito do mundo. O Verdadeiro Papel da Sacerdotisa de Afrodite
Protetora dos corações apaixonados, Afrodite vive e reina. Séculos passaram-se e ela continua exuberante. Abençoada seja! Em outra oportunidade focarei na Deusa da beleza, mas hoje irei ater-me naquela que está intimamente ligada a ela, mas que não existe quase nenhuma literatura a respeito. Mas quem é aquela mulher que transparece a beleza da musa Cíprica em sua face? Quem é essa que parece a encarnação da mãe do Cupido? Quem é essa que ao mesmo tempo que nos passa o amor mais puro, traz a paixão ardente da Grande Mãe e do Grande Caçador? Ela é a filha de Afrodite, voz da Deusa na Terra, ensina, cura, protege e planta amor. A Sacerdotisa de Afrodite sempre existiu e possui todos os aspectos da Divindade: amorosa, delicada, extrovertida, sensual e bondosa. Mas não pise no calo dela, pois sua cólera é amarga e se sua essência é o amor, sua face negra é a ausência deste sentimento ou a indiferença. Aquela que pisa e estraçalha, mas não se machuca e segue sua vida da forma mais bela, sem levar feridas junto ao corpo. Muitas pessoas, principalmente mulheres que seguem e servem a essa Divindade, comumente pregam o amor, mas esquecem de trabalhar todas as suas vertentes e acabam se fixando somente no amor sensual e atrativo, o que nem sempre é tão bom, pois vezes terminam canalizando o “negativo” de Afrodite. O real papel da filha de Afrodite é pregar o amor independente de tudo. Ela como qualquer outro ser humano possui suas fragilidades e medos, porém deve estar treinada para não demonstrar isso aos que a rodeiam. Tem que ser capaz de quando necessário romper as barreiras de sua delicadeza e buscar máxima força. Para muitos magos e estudiosos, Afrodite é a mais poderosa do Olimpo. Por quê? Porque foi ela quem dominou humanos e mortais com o seu amor, inclusive Zeus, o Deus dos Deuses. A Deusa do Amor sempre foi temida entre as Deusas e suas provocações sempre foram aquelas que aconteciam das formas mais sutis, porém eram as mais dolorosas nas outras Deusas. Na Grécia Antiga, a Sacerdotisa de Afrodite dedicava-se única e exclusivamente a essa Divindade. Viviam em templos que honravam a Deusa do amor e eram as mais desejadas das Polis (cidades-estados da Grécia antiga). Normalmente iniciavam jovens rapazes na vida sexual e traziam alegria àqueles que não viam mais graça na vida. Grande parte delas eram conhecidas como “prostitutas sagradas”, mas diferente da prostituta comum que vende o prazer, elas trabalhavam energética e emocionalmente em cada indivíduo. Era comum que se prostituíssem para levantar fundos destinados às melhoras dos templos. Existiam divisões e cada Sacerdotisa de Afrodite do templo possuía sua função, assim, nem todas se prostituíam. Enquanto algumas trabalhavam magicamente por meio do ato sexual, outras faziam rituais, feitiços, encantamentos e até auxiliavam as camponesas que vinham em seu socorro cada vez que sentiam dificuldades em seu relacionamento. Muitas dessas Sacerdotisas tinham como missão preparar novas sacerdotisas. Com a banalização da Magia e das Divindades Gregas, as Sacerdotisas de Afrodite também foram diminuindo em sua quantidade como o caso das Bacantes, Pitonisas, etc. Mas nunca acabaram de vez, até mesmo porque Afrodite não iria deixar que isso ocorresse. Em linhas gerais, a Sacerdotisa de Afrodite é a mulher que tem a Deusa do amor despertada em sua essência e conseqüentemente vida. Elas estão voltando e cada uma delas implica em um pontinho de luz e amor lutando contra a destruição realizada pelo homem. Abençoadas sejam as filhas de Afrodite! |